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CICLO DE CINEMA E PSICANÁLISE, Filme: O ÚLTIMO AZUL

O Último Azul 
 
O Último Azul apresenta um Brasil distópico em que os idosos são alvo de uma política de exílio forçado. Numa cidade amazonense, Tereza (Denise Weinberg), 77 anos, está prestes a receber a ordem de deixar sua casa para ser enviada às colônias destinadas aos idosos. Antes disso, decide realizar um último desejo e embarca em uma viagem pelos rios e afluentes da região amazônica.
 
O diretor Gabriel Mascaro constrói uma narrativa de caráter sonhante, em que a trajetória de Tereza se dá pela via da abertura, do encontro e dos imprevistos — o espírito de aventura se faz presente. Sua fuga não é apenas recusa do destino imposto, mas afirmação de algo que insiste e pulsa: o desejo e a liberdade de imaginar outros caminhos possíveis.
 
Ao colocar a personagem idosa no centro da narrativa, o filme contesta a ideia de velhice como tempo de encerramento. Ao contrário, apresenta-a como um tempo vivo, atravessado por curiosidade, invenção e desejo. É nesse ponto que O Último Azul toca algo essencial: mesmo em um mundo organizado pela exclusão e pela concretude da sobrevivência, o sonhar abre brechas. É a partir dessas brechas que, pouco a pouco, algo se transforma — como se, no interior da distopia, começasse a se esboçar um outro mundo possível, que pulsa sem cessar, forjado pela força dos rios da região e moldado pela amizade.
 
Em Análise terminável e interminável, Freud já apontava que o desejo não envelhece. Até as últimas horas de vida, a pulsão exige trabalho psíquico: contenção, simbolização e sublimação. Nesse sentido, a tarefa incessante de transformar pulsão e experiência permanece. Como disse William Shakespeare: “Somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos.”
 
Debatedores: 
Márcio Roque é psicanalista, membro filiado ao Instituto Durval Marcondes da SBPSP e coordenador no Núcleo de Psicanálise do Serviço de Psicoterapia IPq/HCFMUSP.
 
Atriz Denise Weinberg participa de debate no MIS sobre o filme “O último azul”
 
Longa, que conta com Rodrigo Santoro no elenco e venceu o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim em 2025, é tema do Ciclo de Cinema e Psicanálise de abril
 
Rodrigo Santoro e Denise Weinberg em cena do filme "O último azul", que será exibido gratuitamente no MIS seguido de debate. Crédito: Guilhermo Garza/Desvia
 
A edição de abril do Ciclo de Cinema e Psicanálise, do MIS, exibe o longa brasileiro “O último azul”, de Gabriel Mascaro, em parceria com a Vitrine Filmes. Após a sessão, que acontece no dia 07 de abril, às 19h, será realizado um bate-papo com a presença do psicanalista Marcio Roque e da atriz Denise Weinberg, protagonista do longa. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria física do Museu.
 
No longa, Tereza (Denise Weinberg) tem 77 anos, mora numa cidade industrializada na Amazônia e é convocada oficialmente pelo governo a se mudar para uma colônia habitacional compulsória. Lá, os idosos "desfrutam" de seus últimos anos de vida, enquanto a juventude produtiva do país trabalha sem se preocupar com os mais velhos. Antes do exílio forçado, ela embarca em uma jornada pelos rios e afluentes da região para realizar um último desejo, algo que pode mudar seu rumo para sempre.
 
O filme abriu o 53º Festival de Cinema de Gramado e venceu o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim em 2025, onde também conquistou o Prêmio do Júri Ecumênico e o troféu dos Leitores do Berliner Morgenpost, além de muitos aplausos.
 
No Rotten Tomatoes, site especializado que compila críticas de filmes e séries, “O último azul” possui uma nota de 100% de aprovação, baseada em 25 críticas de veículos especializados. Para o The Hollywood Reporter, é “um deslumbrante filme de estrada aquático que transforma a Amazônia em uma fuga mágica do exílio para a liberdade”. Já a Variety ressalta: “Situado entre a ficção científica e a fábula, ‘O último azul’, do diretor Gabriel Mascaro, encontra um farol de otimismo dentro de sua própria visão distópica do futuro.”
 
Sobre os convidados
Denise Weinberg é atriz e diretora, reconhecida por sua trajetória marcante no teatro, no cinema e na televisão. Iniciou sua carreira nos palcos e ganhou notoriedade por seu trabalho no cinema em longas como “Greta” (2019) e “O último azul” (2025). Recebeu diversos prêmios em sua carreira, incluindo um Grande Otelo e dois Prêmios APCA, além de uma indicação ao Prêmio Emmy Internacional de Melhor Atriz.  
 
Márcio Roque é psicanalista, membro filiado ao Instituto Durval Marcondes da SBPSP e coordenador no Núcleo de Psicanálise do Serviço de Psicoterapia IPq/HCFMUSP. 
 
Sobre o Ciclo de Cinema e Psicanálise
Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS, é realizado em parceria com a Folha de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e apresenta sempre um filme seguido de bate-papo, com mediação de Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da SBPSP. O debate é gravado e disponibilizado, posteriormente, no canal oficial do MIS no YouTube. 
 
“O último azul” por Luciana Saddi 
 
Crédito: Guilhermo Garza/Desvia
 
“’O último azul’ apresenta um Brasil distópico em que os idosos são alvo de uma política de exílio forçado. Numa cidade amazonense, Tereza, de 77 anos, está prestes a receber a ordem de deixar sua casa para ser enviada às colônias destinadas aos idosos. Antes disso, ela decide realizar um último desejo e embarca em uma viagem pelos rios e afluentes da região amazônica. 
 
O diretor Gabriel Mascaro constrói uma narrativa de caráter sonhador, em que a trajetória de Tereza se dá pela via da abertura, do encontro e dos imprevistos — o espírito de aventura se faz presente. Sua fuga não é apenas recusa do destino imposto, mas afirmação de algo que insiste e pulsa: o desejo e a liberdade de imaginar outros caminhos possíveis. 
 
Ao colocar a personagem idosa no centro da narrativa, o filme contesta a ideia de velhice como tempo de encerramento. Ao contrário, apresenta-a como um tempo vivo, atravessado por curiosidade, invenção e desejo. É nesse ponto que o filme toca em algo essencial: mesmo em um mundo organizado pela exclusão e pela concretude da sobrevivência, o sonhar abre brechas. É a partir dessas brechas que, pouco a pouco, algo se transforma — como se, no interior da distopia, começasse a se esboçar um outro mundo possível, que pulsa sem cessar, forjado pela força dos rios da região e moldado pela amizade. 
 
Em “Análise terminável e interminável”, Freud já apontava que o desejo não envelhece. Até as últimas horas de vida, a pulsão exige trabalho psíquico: contenção, simbolização e sublimação. Nesse sentido, a tarefa incessante de transformar pulsão e experiência permanece. Como disse William Shakespeare: “Somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos.” 
 
Serviço | Ciclo de Cinema e Psicanálise – “O último azul”
Data: 07.04, às 19h
Local: Auditório MIS
Ingresso: Gratuito (retirada com uma hora de antecedência na bilheteria física do MIS)
Classificação: 14 anos

 

07/04
19horas
Auditório MIS

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