
“A graça”, de Paolo Sorrentino, é tema do
Ciclo de Cinema e Psicanálise do MIS
Em parceria com a Pandora Filmes, esta edição acontece no dia 16.06, terça-feira, às 19h, com entrada gratuita. O Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS, é realizado em parceria com a Folha de S.Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP).
A edição de junho Ciclo de Cinema e Psicanálise do MIS, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, exibe o filme de abertura do Festival de Veneza 2025, “A graça”, em parceria com a Pandora Filmes. O novo longa-metragem de Paolo Sorrentino, diretor italiano, propõe uma reflexão íntima sobre identidade e memória, traçando a marca indelével que se deixa através da família e das ações. A produção rendeu a Toni Servillo a Copa Volpi de Melhor Ator na 82ª edição da Biennale.
Após a sessão, que acontece no dia 16 de junho, às 19h, o público confere um bate-papo com a presença de Christian Dunker e Oswaldo Ferreira Leite Netto. A mediação da conversa é de Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP).
Cena do filme “A Graça” | Crédito: © Andrea Pirrello
Sobre o Ciclo de Cinema e Psicanálise
O Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS, é realizado em parceria com a Folha de S.Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e apresenta sempre um filme seguido de debate mediado por Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da SBPSP.
Sobre o filme
“A graça” (La Graza, dir. Paolo Sorrentino, 2025, 110 min, Itália, 14 anos) - Em meio às contradições da sociedade italiana contemporânea, um homem enfrenta crises pessoais e espirituais enquanto tenta compreender o sentido de sua própria existência. Do cineasta Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar e do BAFTA, “A graça” é uma exploração abrangente do amor, do dever e da liberdade pessoal. Toni Servillo – vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza de 2025 – é o poderoso Mariano De Santis, que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, esta obra-prima é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo?
Sobre os convidados
Christian Dunker é psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da USP e coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP). Com pós-doutorado pela Manchester Metropolitan University, é autor de livros como “Mal-estar, sofrimento e sintoma”, “Reinvenção da intimidade”, “O palhaço e o psicanalista” e “Paixão da ignorância”. Foi vencedor de dois prêmios Jabuti na área de Psicologia e Psicanálise.
Oswaldo Ferreira Leite Netto é médico psiquiatra, psicanalista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), docente do Instituto Durval Marcondes da SBPSP e diretor do Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Sobre a mediadora
Luciana Saddi é psicanalista e escritora. É membra efetiva da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e docente do Instituto Durval Marcondes. É mestre em Psicologia pela PUC-SP. É autora de “Educação para a morte” (Ed. Patuá), coautora dos livros “Alcoolismo – série o que fazer?” (Ed. Blucher) e “Maconha: os diversos aspectos, da história ao uso”. É fundadora do Grupo Corpo e Cultura, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura e Comunidade da SBPSP em parceria com o MIS e a Folha de S.Paulo. É professora da Casa do Saber e do Instituto Espe.
A Graça, por Luciana Saddi
“O novo filme de Paolo Sorrentino acompanha os últimos meses do mandato de Mariano De Santis, presidente italiano viúvo, jurista, austero, católico e nostálgico. Distante do frisson mundano, De Santis atravessa crises íntimas e impasses públicos ao se confrontar com decisões sobre eutanásia e indultos a condenados por homicídio, enquanto é assombrado pela suspeita da infidelidade da falecida esposa.
Interpretado magistralmente por Toni Servillo, o personagem encarna uma figura marcada pela contenção e pelo rigor moral. Dominado por um superego severo, De Santis é movido por disciplina e renúncia. A relação com a filha introduz um contraponto importante: é ela quem lhe traz notícias do mundo, afeto, alguma leveza e jovialidade, em contraste com o ambiente pesado e cerimonial em que vive enclausurado.
Nessa trama sobre poder, culpa, consciência e perdão, a política aparece com a gravidade inerente à responsabilidade de governar. As discussões sobre indulto e eutanásia conduzem o espectador a questões éticas complexas: o que significa absolver? Quem pode conceder perdão? Há decisões capazes de aliviar a culpa ou de reparar aquilo que foi perdido? Essas perguntas atravessam não apenas a esfera pública, mas também a vida íntima do personagem, permeada por melancolia e pela difícil elaboração da traição amorosa.
Os interiores palacianos, monumentais e austeros contrastam com a pequenez do corpo do presidente em cena — metáfora visual do peso simbólico da história, do Estado e da solidão implicada nas decisões políticas. Mariano De Santis hesita, sofre e delibera sob o peso da própria consciência moral, talvez justamente porque reconheça que nenhuma decisão de poder consegue apagar a dimensão trágica e absurda da condição humana.”
Serviço | Ciclo de Cinema e Psicanálise – “A graça”
Data: 16.06, às 19h
Ingresso: gratuito (retirada com uma hora de antecedência na bilheteria do MIS)
Local: Auditório MIS (168 lugares) | Avenida Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo – SP
Classificação: 14 anos