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Era uma vez…

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Era uma vez uma menina de seis anos e sua tia. Ligadas, desde muito cedo, por aquele tipo de afeto que mesmo o observador ocasional percebe aflorar nos rostos das pessoas que se amam. Porém, as duas haviam sido separadas por uma ameaça externa inesperada e súbita, ainda desconhecida e tida como muito perigosa. Em meio à desolação mútua causada pelo distanciamento físico e pela saudade, as duas foram surpreendidas pelo pai da menina, que convidou sua irmã para ler para a garota, na hora de dormir. Ele propôs que elas usassem uma caixinha mágica chamada celular, por meio da qual pudessem se ver, mesmo estando fisicamente distantes…

Menina: Tutúúúúú (apelido que a pequena deu para a tia).
Tia: Pequena, que saudade… Mas agora é hora de dormir, viu? Separei um livro que gosto muito, para ler pra você. Chama O Mágico de Oz.
M.: Aaahhh, eu acho que eu já vi esse filme com o papai.
T.: Pode ser. Tem um filme muito bonito com essa história. Pronta pra começar? Vamos lá… Capítulo 1.

E, então, a tia começou a contar a história de Dorothy, a garotinha que vivia com a Tia Emily e o Tio Henry em Kansas, até que, um dia, um grande ciclone levou Dorothy e seu cachorro Totó para bem longe; para o reino de Oz.

Dorothy acha muito bonita aquela terra. Faz amigos e se diverte; conhece um espantalho, que quer ter um cérebro; um lenhador de lata que quer um coração e um leão que deseja coragem.

Ainda assim, não é feliz porque Oz não é a sua terra. Dorothy decide encontrar uma forma de voltar para casa.

Em meio às suas aventuras, o grupo conhece uma bruxa boa que lhes conta que talvez o poderoso Mágico de Oz possa ajudá-los a conseguir o que desejam…

M.: Tutú, onde você tá?
T.: Na minha casa, gatinha.
M: Com o vovô e a vovó?
T: Não. Lembra que eu mudei pra outra casinha?
M: E você tá sozinha?
T: Não. O Tio Fê está comigo.
M: Aaaah.
T: Você quer conversar sobre isso?
M: Não. Pode continuar a história. 

E, assim, um, dois, três capítulos são lidos até que a tia resolve ficar em silêncio para verificar se a criança dormiu…

T.: (silêncio)
M: (silêncio)
T: Dormiu, pequenina?
M: (silêncio)
T: Bons sonhos.

A tia foi avisar ao irmão que achava que a pequena tinha adormecido e eles combinaram outra data para que a leitura do livro continuasse. Dias e noites se passaram até que…

M: Tutú!
T: Oi, pequena! Vamos continuar a história da Dorothy? Onde paramos?

E então Dorothy e seus amigos chegam a Oz e ele pede que derrotem a bruxa malvada do Oeste antes que possa auxiliá-lo…

M: Você já leu essa parte.
T: Já? Espera, então deixa eu procurar.
M: Você não marcou?

Dorothy joga água na bruxa malvada e a derrota…

M: Você já leu isso também.
T: Ihh.
M: Você devia ter marcado o livro!
T: É mesmo, pequena.

E eles retornam a Oz…

M: Tutú, onde você tá?
T: Na minha casa.
M: Sozinha?
T: Não, com o tio Fê.
C: DE NOVO?!!!
T: É. Na verdade, não é de novo. Ele está morando aqui.
C: Ah. E por quê?
T: Pra Tutú não ficar sozinha. Lembra que a gente te contou que vamos nos casar?
C: E por quê?
T: Porque eu e o Tio Fê nos amamos.
C: E por quê?

E começa a rir da brincadeira dos porquês. Elas riem juntas olhando-se até que…

C:  Tutú, você continua a história?

Porém, descobrem que Oz não tinha poderes. Era um ilusionista, um impostor. Ficaram muito decepcionados por terem cumprido a parte do trato e se sentindo enganados. Oz decide explicar que aquilo que buscam já faz parte deles…

M: Tutú, vamos chamar o vovô e a vovó?
T: Vamos. Vou colocar o telefone del…
M: Não! Eu coloco. Eu já sei como fazer. Vou te mostrar. Estou procurando a foto do vovô.

E, como num encanto, além das duas, agora o vovô e a vovó estão na caixinha mágica, no quarto da menina.

M: Vovô e vovó, a Tutú tá me contando história.
T: É verdade. Mas é hora de dormir! Não é hora de agitar.
Vovô e vovó, vocês também querem escutar?Vovô e Vovô: Lógico que queremos!
M.: Vovó, vovó, eu já sei silenciar o microfone. E pausar a imagem. E colocar vocês nas ligações. Vocês tão vendo? Ó. Viu? E o Buzz…
T: Ô, pessoal! Que bagunça é essa? É hora de dormir!
Vovô, vovó e Menina.: Tááá boooooom.

O mágico de Oz fala para o espantalho que ele não precisa de um cérebro porque está aprendendo algo novo todos os dias e que é a experiência que ensina. E o falso poderoso diz para o Leão que ele não precisa que ninguém lhe entregue coragem porque ele já a possuía. O que precisava era confiar em si mesmo. Todo mundo tem medo quando encontra perigos. A coragem está em enfrentá-los. E diz ao lenhador de lata que ele não precisa de um coração porque este traz sofrimento, deixa as pessoas tristes. Mas o lenhador diz que prefere ter um coração – mesmo que às vezes fique infeliz – do que não tê-lo.

E eles passam mais outros muitos desafios até que, finalmente:

Capítulo 24 – Novamente em Casa

Tia Emily tinha saído de casa para aguar os repolhos, quando ergueu o rosto e viu Dorothy correndo para ela.

– Minha querida menina! – ela gritou, envolvendo a meninazinha em seus braços e cobrindo-lhe o rosto de beijos. Mas de onde você veio?

– Da Terra de OZ – disse Dorothy, gravemente. – E Totó também está aqui. Oh, Tia Emily, estou tão feliz de estar de novo em casa.

T: (silêncio)
M: (silêncio)
V. e V.: (silêncio)
T: Boa noite, nossa pequena. Até daqui a pouco.

E enquanto aguardavam o reencontro, elas fizeram o possível para se manter presentes mesmo ausentes.

FIM

*Alessandra Nicoletti, é membro filiado da SBPSP.

Referência bibliográfica:
BAUM, Lyman Frank. O Mágico de Oz. Tradução de William Lagos. Porto Alegre: L&PM, 2018.

Crédito: Henri Matisse, The Heart (Le Coeur) from Jazz, 1947



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