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Página Inicial Publicações Jornal de Psicanalise Número 80

Número 80

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SUMÁRIO

Editorial 11
Eunice Nishikawa

 

Diálogo: ser editora do Jornal de Psicanálise 15
Cândida Sé Holovko, Cecília Maria de Brito Orsini, Leda Maria Codeço Barone e Sandra Lorenzon Schaffa

 

Entrevista: ser editor de psicanálise na Europa 31
Jean-Michel Quinodoz

 

Entrevista da Associação dos Membros Filiados: sobre a formação do psicanalista 45
Jorge Canestri

 

REFLEXÕES SOBRE O TEMA

Virgínia Leone Bicudo e o Jornal de Psicanálise 61
Antonio Luiz Serpa Pessanha

Resumo: O autor em um depoimento pessoal sobre os primeiros anos do Jornal de Psicanálise, destaca a importância do trabalho e liderança de Virgínia Leone Bicudo.
Palavras-chave: publicação psicanalítica, formação do psicanalista, Virgínia Bicudo

 

Virgínia Bicudo – uma história da psicanálise brasileira 65
Maria Helena Indig Teperman e Sonia Knopf

Resumo: Trazemos, neste texto biográfico sobre Virgínia Leone Bicudo, importantes aspectos e dados de sua vida, alguns ainda não divulgados, baseando-nos no material mantido pela Divisão de Documentação e Pesquisa da História da Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. O relato parte de um levantamento de suas raízes familiares, fala do ambiente em que ela vivia durante a infância, aborda a fase de sua formação e de seus estudos, tanto como socióloga quanto como psicanalista, trajeto que prevaleceu em um segundo momento; acompanha o significativo papel por ela desempenhado na constituição e no desenvolvimento da psicanálise no Brasil.
Palavras-chave: psicanálise, sociologia, Virgínia Bicudo, Durval Marcondes, preconceito racial

 

Por que um jornal? 79
Elias Mallet da Rocha Barros

Resumo: O autor descreve sua experiência editorial em revistas científicas e discute sua função e funcionamento. Ao fazê-lo coteja a função e o funcionamento dessas revistas na área da psicanálise com a própria atividade psicanalítica.
Palavras-chave: peer review, journal, Fédida, escrita psicanalítica, processo de avaliação

 

A escala de Procusto ou à procura de um leito para a psicanálise 87
Leda Codeço Barone

Resumo: A partir de crítica ao modelo do Sistema Qualis de avaliação de periódicos de psicanálise, aborda a autora a adequação de tais critérios às particularidades da disciplina psicanalítica. Propõe a reflexão sobre o estatuto de cientificidade da psicanálise, considerando seu objeto e método. Vale-se das contribuições de Herrmann – reconhecendo como objeto da disciplina o Homem Psicanalítico, e como método psicanalítico, a interpretação, compreendida como ruptura de campo – e conclui que somente a análise minuciosa e ponderada dessas questões poderá oferecer subsídios para a criação de critérios de avaliação que não mutilem o pensamento psicanalítico.
Palavras-chave: Sistema Qualis, método psicanalítico, periódicos psicanalíticos

 

Os dois vetores temporais de Nachträglichkeit no desenvolvimento da organização do ego: a importância do conceito para a simbolização dos traumas e ansiedades sem nome 87
Gerhard Dahl

Resumo: O autor descreve o conceito freudiano de Nachträglichkeit como processo ativo que, por meio do significado, preenche a lacuna entre vicissitudes afetivas passadas e o presente cognitivo. Assim, confere-se simbolização posteriormente [nachträglich] a eventos traumáticos anteriores, que se tornam suscetíveis ao controle onipotente. Discutem-se os dois vetores temporais de Nachträglichkeit: o primeiro é um processo causal que opera em direção ao avanço do tempo contra o pano de fundo da realidade factual, enquanto o segundo é um movimento regressivo que permite a compreensão de cenas e fantasias inconscientes que ocorrem no nível do processo primário. Esse movimento temporal em duas partes foi observado e descrito por Freud anteriormente. Contudo, sua importância permaneceu por vezes oculta antes do estudo do Moisés. Foi ignorado principalmente nas traduções para francês e inglês, dando assim origem a uma compreensão unilateral do conceito, nas diversas culturas psicanalíticas, como deferred action ou après-coup. O estudo de Freud sobre Moisés aborda tanto os aspectos temporais de Nachträglichkeit, procurando não só reconstruir o evento passado em base causal determinista, mas também compreender a verdade subjetiva desse evento na transferência segundo a linha retroativa do tempo. O critério decisivo para a separação conceitual e clínica dos dois vetores temporais é o desenvolvimento da organização de ego e a capacidade de simbolização. Os dois vetores não devem ser separados em nível factual, assim como ambos os aspectos de Nachträglichkeit são essenciais para a compreensão dos processos inconscientes, combinando-se como fazem em uma relação de complementaridade circular.
Palavras-chave: après-coup, deferred action, traumas iniciais, organização do ego, realidade fatual, Nachträglichkeit, simbolização, vetores de dois tempos, fantasia inconsciente, cena inconsciente

 

Apontamentos em torno das temporalidades na clínica psicanalítica 115
Bernardo Tanis

Resumo: O autor reflete sobre a heterogeneidade dos processos temporais que regem o psiquismo e a situação transferencial. São identificados dois modos de conceber esses processos: em termos de continuidade e em termos dos processos de ressignificação a posteriori (après-coup). Uma vinheta clínica e um conto de Julio Cortázar ilustram tais processos. Ambos os movimentos temporais articulam-se no processo analítico, criando condições para a temporalização, a historização e a simbolização do recalcado e do não metabolizado.
Palavras-chave: temporalidade, après-coup, memória, transferência

 

A arte da reescritura: uma ressignificação? 127
Fátima Cristina Monteiro de Oliveira

Resumo: Ao tempo em que enfoca os conceitos de ressignificação e determinismo nos primeiros textos de Freud, a autora procura fazer uma aproximação entre esses termos e a clínica psicanalítica. Na discussão, retoma propostas teóricas que concebem o aparelho psíquico como sempre aberto à possibilidade de novas significações. O trabalho é acompanhado de breve exposição de um caso clínico, em que a ressignificação se faz presente de modo espontâneo e ilustrativo.
Palavras-chave: tressignificação, determinismo, clínica, trauma

 

Uma memória do futuro – sua relevância clínica 139
Parthenope Bion Talamo

 

ARTIGOS NÃO TEMÁTICOS

Uma relação tão delicada 149
Marta Petricciani

Resumo: Partindo de situações vividas em seu trabalho como analista de crianças, a autora propõe algumas reflexões sobre um ponto específico desse trabalho: a relação do analista com os pais de seus pequenos pacientes.
Palavras-chave: tríade analista-analisando-pais, capacidade positiva.

 

Facilitando trânsitos no espaço analítico: o brincar como estado de mente 165
Mariângela Mendes de Almeida

Resumo: São apresentadas cenas de trabalho em duas áreas nas quais Winnicott nos tem iluminado a trilha: a Intervenção nas Relações Iniciais e o acesso a pacientes em que predominam estados primitivos da mente, mediados por uma discussão sobre o “brincar” − estado de mente do analista − como instrumento favorecedor de acesso ao infantil e de desenvolvimento psíquico. Enfatizase aqui o brincar em seu sentido abrangente de liberdade de investigação, flexibilidade de pensamento, modulação de estados mentais que permitem o espaço para percepção do outro e do novo, possibilidade de transitar entre faz de conta e realidade, mundo interno e mundo externo, dentro e fora. Nas vinhetas, amplificadas em discussão posterior quanto a possíveis convergências clínico-conceituais, podemos acompanhar como, sob o testemunho de nosso olhar compartilhado para dentro, dedinhos-sentimentos em Guilherme podem mexer e dar sinais de vida e diversidade, as máquinas de Flávio podem pensar, se apaixonar, e experimentar ligações, o infantil presente em duas bebês e seus pais pode gritar seus nós e existir, e nós, analistas, podemos nos deixar surpreender e facilitar o “brincar” em nossas mentes e nas de nossos pacientes.
Palavras-chave: brincar, mente do analista, estados primitivos de mente, convergências clínicas, espaço analítico.

 

Do retiro na tricotilomania ao mundo das trocas objetais 177
Alessandra Ricciardi Gordon

Resumo: Através deste trabalho gostaria de dar seguimento a algumas reflexões que se originaram a partir do atendimento psicanalítico a uma mulher de 34 anos, no seu sétimo ano em análise, que ainda hoje tem uma sintomatologia compulsiva, mais especificamente a tricotilomania. Esse quadro compulsivo é parte integrante de um desenvolvimento emocional bastante precário, que descrevi em um trabalho anterior (Gordon, 2009). Observei que havia uma dinâmica entre os aspectos compulsivos e os investimentos narcísicos e objetais. Neste trabalho procurarei fazer uma breve recapitulação dessas conclusões, que incluem algumas considerações sobre a tricotilomania, tal como é descrita na literatura psiquiátrica e psicanalítica, e então acrescentarei novos desdobramentos.
Palavras-chave: autoerotismo, compulsão, tricotilomania, narcisismo, retiro psíquico

 

O envelhecimento à luz da psicanálise 193
Miriam Altman

Resumo: A população idosa tem aumentado significativamente. Esse fato desperta maior atenção e preocupação com as características e demandas próprias da diversidade dessa faixa etária que está acima dos 65 anos. Temos como objetivo apresentar alguns conceitos psicanalíticos e correlacioná-los com nossa experiência clínica, apresentando vinhetas para ilustrar o tema ligado às  perdas vividas nessa faixa etária. A partir desse resgate enfatizamos a relação existente entre o envelhecimento e os fatores psíquicos e socioculturais ligados a esse momento da vida. Observamos que as características de personalidade influenciam o aproveitamento, ou não, de uma psicoterapia ou psicanálise e são mais importantes que a idade cronológica da pessoa. 
Palavras-chave: envelhecimento, perdas, psicoterapia, psicanálise


FORMAÇÃO PSICANALÍTICA

Fundamentação conceitual do currículo e da avaliação no processo de formação psicanalítica 209
Homero Vettorazzo Filho

Resumo: O autor discute critérios e princípios subjacentes à concepção conceitual do currículo, considerado em sua função no tripé que fundamenta o processo da “formação psicanalítica”. Parte do princípio de que pensar o processo de formação é pensar primeiramente em formação de subjetividade. Portanto, considera que a autonomia do membro filiado e o desenvolvimento de sua própria experiência de teorização devem ser os princípios básicos priorizados na concepção de um currículo. É sob este vértice que o autor aborda o conceito e a função dos módulos optativos no currículo. Nesse contexto, é debatido o conceito do “respeito às tradições” no processo de formação. Com relação à avaliação de membros em formação é posto em debate o risco de um controle institucional rígido na contramão de um processo de formação que vise a uma ação subjetivante, ou seja, não alienante.
Palavras-chave: currículo, formação psicanalítica, subjetividade, módulos eletivos, controle institucional

 

Atualizando rumos: abrindo espaços no currículo 217
Paulo Duarte Guimarães Filho

Resumo: A partir de sugestões da diretoria do Instituto de Psicanálise da sbpsp sobre o currículo, para discussão no último Congresso Interno, é examinado como há um espaço bastante estruturado no currículo para o estudo de autores e correntes de pensamento individualizadas, não havendo uma atenção equivalente para articulações e eixos de progressão entre as concepções psicanalíticas. Apesar de os “Seminários Eletivos” poderem ter esse papel, na prática eles têm funcionado de um modo atomizado, daí ser sugerida a criação de Seminários sob a forma de “Fóruns Permanentes de Novas Iniciativas Curriculares”, voltados para o estudo das áreas de articulação e de progressão do conhecimento psicanalítico e de sua prática clínica.
Palavras-chave: currículo, transmissão do conhecimento e experiência psicanalítica, estudo dos autores, estudo de articulações conceituais e clínicas

 

INTERFACE

Fonte da imagem: imagem da fonte. As metamorfoses de Narciso 229
Juliana de Nooy

Resumo: Objeto de ficção e de teoria tratado tanto por escritores como por psicanalistas, o mito de Narciso tem sofrido uma série de transformações. Ao descrever a projeção da imagem de si e a tentativa de confundir-se ou identificar-se com ela, os numerosos relatos vão do trágico (Ovídio) ao triunfante (Lacan). O que liga todos é − curiosamente − o conceito de fonte. O espelho está em cada história estreitamente ligado a uma origem. A maneira de interpretar essa relação determina o viés, trágico ou triunfante. Partindo de uma perspectiva derridiana, a autora mostra que não por acaso existe essa relação entre a imagem especular e o conceito de fonte.
Palavras-chave: Derrida, Freud, Lacan, narcisismo, estadio do espelho

 

Origens literárias do modelo psicanalítico da mente 239
Marisa P. Mélega

Resumo: A evolução do modelo da mente é aqui abordada por meio do modelo epistemológico de Bion − em que os pensamentos são vistos como criadores de significados − e da contribuição de Meltzer à teoria da criatividade − segundo a qual a criatividade depende da função mental criadora dos objetos internos. Ao considerar o modelo psicanalítico da mente como um processo estético e imaginativo, e ver nele forte semelhança com a experiência literária, a autora complementa sua argumentação apresentando resumo de rastreamento empreendido por Meg Harris Williams na busca de tais origens na literatura inglesa.
Palavras-chave: modelo de mente, criatividade, conflito estético, literatura

 

RESENHA

Bion e a psicanálise infantil: interações entre indivíduos e nos grupos 259
Anne Lise S. Scappaticci e Luisa C. Tirelli
Resenhado por Maria Olympia de Azevedo Ferreira França

 

ORIENTAÇÃO AOS COLABORADORES 263

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