SUMÁRIO
Editorial
Cândida Sé Holovko 09
ENTREVISTA
Em nome de uma psicanálise renovada
Stefano Bolognini 13
Entrevistas da Associação dos Membros Filiados
Encontros reflexivos sobre formação
Jacques André, René Roussillon, Otto Kernberg e Stefano Bolognini 25
DEBATE
Tendências da psicanálise contemporânea
Elizabeth Lima da Rocha Barros, Homero Vettorazzo Filho, Luiz Carlos Uchôa Junqueira Filho e Rahel Boraks 55
REFLEXÕES SOBRE O TEMA
Para o gol: latência e identidade de gênero
Osvaldo Luís Barison 83
As questões da definição de gênero são de grande interesse na psicanálise atual. O autor salienta que a construção da masculinidade não tem recebido o mesmo investimento teórico do que a feminilidade. A partir da vivência em ludoterapia com crianças no período da latência, destacase o uso do futebol de botão na sala de análise, sendo que a entrada no universo do futebol representa um espaço potencial na masculinização. Discute-se a técnica do trabalho com latentes, o futebol como expressão simbólica e o processo de tornar-se homem.
Palavras chave: período da latência; técnica de ludoterapia; futebol; identidade de gênero; masculinidade.
Espelhos, reflexos, reflexões (Parte I)
Luciano Marcondes Godoy 101
Considero a estranheza que os espelhos são capazes de provocar em nós. Comparo o espelho frio de vidro com o espelho vivo do olhar das mães. Procuramos no espelho aquilo que não conseguimos encontrar no olhar das mães. A tônica das reflexões decorre dessa analogia. Destaco vivências de aprisionamento nessa procura. Vivências primitivas intrauterinas e do nascimento são cogitadas, como registros factíveis de procura no espaço virtual do espelho. Atribuoà memória a função psíquica de transformar estímulos físicos, como a luz, em libido, ocorrendome o caso de Schreber. Comento a importância de não podermos nos ver diretamente. A função simbólica é destacada como promovedora da possibilidade do desaprisionamento do espelho.
Questiono também se o mundo interno reluz no espelho. Encontro em Guimarães Rosa e Valiéri Briússov um universo de sentimentos gerados pelo mirar-se no espelho.
Palavras-chave: aprisionamento ao espelho; autoimagem; espaço virtual; imagem especular;
memória inconsciente.
Variações do desenho
Vera R. F. Montagna 117
Este artigo foi elaborado a partir do amálgama de duas atividades importantes para a autora:
a Psicanálise e a Arte. É um esforço reflexivo de aproximar o desenho, o processo criativo e o encontro psicanalítico na sua dimensão estética. O texto explora questões que se manifestam no âmbito do próprio fazer artístico e da clínica psicanalítica, procurando um diálogo entre a tradição da arte e a inventividade no processo de formação de novos símbolos.
Palavras-chave: clínica psicanalítica; processo criativo; desenho; arte.
Um lugar para o sintoma na clínica psicanalítica
Eva Maria Migliavacca 133
Este trabalho contém uma reflexão a respeito da função do sintoma na dinâmica do psiquismo, a partir da intersecção entre o campo da psicanálise e o de narrativas com valor de metáfora.
O sintoma configura-se como uma porta de entrada para o encontro do indivíduo consigo mesmo. São também apresentados, como ilustração, alguns recortes extraídos da clínica.
Palavras-chave: sintoma; metáfora; psicanálise; mito; Édipo rei.
A consulta terapêutica: um espaço potencial para a construção da parentalidade
Maria Cecília Pereira da Silva 143
Este trabalho discute como as consultas terapêuticas utilizadas em intervenções nas relações iniciais pais-bebês são favorecedoras da constituição da parentalidade. Destaca como este setting constrói um espaço potencial fundamental para o estabelecimento da parentalidade e a prevenção de transtornos de desenvolvimento, especialmente naquelas duplas pais-bebês que se caracterizam como em situações de risco. Ilustra com algumas vinhetas de consultas terapêuticas realizadas com uma mãe adolescente e seu bebê.
Palavras-chave: consultas terapêuticas; espaço potencial; parentalidade; intervenção nas relações iniciais; vínculo pais-bebê.
Caminhos na elaboração de um luto
Fátima Maria Vieira Batistelli 155
O presente trabalho foca principalmente o processo de elaboração de luto de um menino de nove anos de idade que aos três perdeu o pai de morte súbita. As experiências vivenciadas nas sessões de análise e o quanto essa criança pode usar a analista e o setting, bem como a sobrevivência de ambos, vai mostrando os caminhos que ele foi criando para se confrontar com uma dor de início e por muito tempo, impensável.
Palavras-chave: luto; uso do analista; análise de criança.
Conversa de uti: Grupo de Pais num Serviço de UTI Neonatal
Ana Maria Vieira Rosenzvaig 163
Partindo da apresentação da prática "Grupo de Pais" como uma das modalidades de intervenção terapêutica e preventiva oferecida a pais de bebês internados numa UTI Neonatal, o trabalho discute sua função como um espaço privilegiado de construção de uma narrativa subjetivada sobre o bebê, possibilitando aos pais uma retomada gradual do processo de gestação psíquica deste bebê e reapropriação, por parte deles, das funções parentais. É enfatizado ainda esta atividade "Grupo de Pais" como potencializadora do desenvolvimento de um trabalho genuinamente transdisciplinar no atendimento dos bebês internados e seus cuidadores, e funcionando também como um dispositivo de escuta e intervenção psicanalíticas bastante adequadas ao que é demandado numa realidade hospitalar e de UTI Neonatal.
Palavras-chave: UTI neonatal; abordagem de tratamento interdisciplinar; narrativas; psicanálise
Trajetória do "vir a ser" psicanalista: um paralelo
Ana Maria Andrade de Azevedo 171
Tentando aproximar alguns modelos oferecidos pela mitologia, modelos estes que apontam para um constante desejo presente entre nós seres humanos, de superar as dificuldades e a dor inerentes a nossa condição, a autora procura estabelecer paralelos e aproximações que apontam para o intenso conflito entre aspectos onipotentes e arrogantes frente às limitações e a constatação da realidade.
Dentro das sagas míticas que chegaram até nós, a "Odisséia", que relata a trajetória de Ulisses em seu retorno à Itaca é escolhida para ser considerada mais detalhadamente, pois seu herói, Ulisses, encarna tanto o desejo de uma condição mágica, que liberte-o de seus limites, como expressa a condição de homem racional que não pode deixar-se levar por seus desejos. As vicissitudes vividas por esse personagens possibilitam uma possível aproximação ao processo de conhecimento e de busca de verdade presente, no ser humano desde o início da vida. A autora acredita e propõe que é possível estabelecer uma aproximação entre a Psicanálise, naquilo que esta propõe como busca de conhecimento e a trajetória de Ulisses na Odisseia, o que justificou a apresentação deste texto na abertura dos trabalhos científicos do Instituto de Psicanálise da SBPSP.
Palavras-chave: treinamento; desejo; busca para o conhecimento; mitologia.
Sobre a natureza e função do currículo na formação analítica
Marcio de Freitas Giovannetti 181
Partindo do texto freudiano "A questão da análise leiga" o autor re-situa o currículo da formação psicanalítica em seu contexto originário, isto é, num espaço fronteiriço e dialógico com as humanidades. Ressalta a importância do tripé básico da formação que implica em duas áreas privadas, análise e supervisão, e uma área pública, os seminários teóricos e clínicos, enfatizando que é justamente esta última que tem uma função interpretante das transferências privadas que seriam as responsáveis pelas doenças institucionais.
Palavras-chave: restos transferenciais; privado; público; sacralização; contemporâneo.
O ensino da psicanálise na universidade: do legado de um impossível à invenção de possibilidades
Maria Lúcia Castilho Romera & Cérise Alvarenga 187
O presente trabalho aborda aspectos do ensino da psicanálise. Inicialmente, algumas considerações são feitas sobre a transmissibilidade possível de um saber em que a condição de efemeridade erige a solidez de seus achados. Considerar-se-á o pensamento de Freud acerca desta questão seguido, particularmente, pelos de Piera Aulagnier e Laplanche. Da tensão entre eles um emergente se desdobrará: a postura interrogante-interpretante. Nesta perspectiva, o modelo metodológico interpretativo por ruptura de campo, no sentido delineado por Fabio Herrmann lança uma outra modalidade de inter-relação entre o saber que interroga (teoria) e o saber da interrogação (método). Finalmente, duas experiências de ensino na Universidade, a partir das quais se delineia um esboço da encarnação de tal método, destinará o texto à reflexão de um possível ensino interpretante.
Palavras-chave: psicanálise; ensino; interpretante.
Associação livre de ideias: via régia para o inconsciente – a especificidade
do método
Marta Foster 201
Em trabalhos anteriores (Foster 2001, 2004, 2005, 2008), tenho abordado a investigação do processo associativo como recurso técnico/teórico no atendimento clínico em psicanálise. Dentro do processo associativo, relevo o momento do encontro analítico, destacando o fato de que a "tempestade emocional" (Bion,1970), que acontece nesse momento, possibilita que aspectos primitivos do paciente possam ser mais facilmente demonstrados. Neste trabalho, pretendo dar continuidade às investigações anteriores, ressaltando a importância das primeiras comunicações feitas pelo paciente (verbal, pré-verbal, não verbal) e a maneira de utilizá-las no trabalho analítico. Esse procedimento tem se mostrado um facilitador na aproximação de fenômenos mentais que estão presentes em sala de análise, motivo por que me interessei em investigá-lo e apresentá-lo aos colegas para discussão. Para essa finalidade
pesquiso o conceito de "experiência emocional" e "linguagem" e menciono situações clínicas para demonstrar o que proponho.
Palavras-chaves: comunicação pré-verbal; comunicação não verbal; linguagem; encontro analítico; experiência emocional.
TRADUÇÕES
As delinquências secretas do analista
Joyce Slochower 217
A capacidade de criar e a exigência de criar
René Roussillon 237
Tributo a Odilon de Mello Franco Filho
Odilon de Mello Franco Filho: uma vida dedicada à Psicanálise
João Baptista N. F. França 257
Homenagem (Envoi) a Odilon de Mello Franco Filho
Antonio Sapienza 263
Pressentimento
Paulo Cesar Sandler 265
Em diálogo com Dr. Odilon de Mello Franco Filho Mitos e Religião: sugestões para uma eventual "Psicanálise da experiência religiosa"
Antonio Muniz de Rezende 271
Para Odilon
Lia Raquel Cypel 285
ORIENTAÇÃO AOS COLABORADORES 295
Publicações