A Revolução Freudiana hoje

 

Plinio Montagna
Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
Ex-presidente da Associação Brasileira de Psicanálise

 

                                                       
A monumental obra de Freud, que o alçou à condição de um dos gigantes da cultura ocidental, foi peça fundamental nas mudanças na vida do século XX.  Marcou o pensamento e, de modo indelével, o ser humano, a partir do início da publicação de “Interpretação dos Sonhos”, em 1900. Mudou o mundo.  Se no início  ele foi designado, como “o modesto sábio de Viena”, no Brasil que começava a ler sua obra, foi depois escolhido como um dos candidatos “a homem do século” no ano 2000, pela revista “Time”.  

Sua obra é toda moldada a partir da relação de intimidade com outros seres humanos, e, sobretudo, consigo mesmo. Influenciou profundamente a quem tratou e naqueles com quem conviveu. Muito influiu em todo o mundo,  recorrendo algumas vezes, com enorme coragem e ousadia, à observação profunda daquilo que ele podia observar antes de tudo dentro de si mesmo.
 
À diferença dos filósofos, Freud partiu de sua prática cotidiana, da qual nunca se afastou. Partiu das vicissitudes e desafios de sua clínica de médico, em que atendia as  necessidades de seus pacientes com espírito investigativo profundo e incansável, aos quais aliou uma retidão intelectual a toda prova.  Sua atividade clínica buscou, sobretudo, aliviar o sofrimento das pessoas a quem assistia. Sua última conhecida entrevista, concedida à BBC de Londres um ano antes de sua morte, não deixa dúvidas: “Comecei minha carreira como neurologista, buscando trazer alívio para meus pacientes neuróticos. ... no fim, fui bem sucedido. ... Por sorte, descobri a Psicanálise. Mas a luta não terminou...”.

Partiu de uma Neuropsiquiatria então configurada por elementos contingentes, marcando ambas, Neurologia  e Psiquiatria,  de modo duradouro. Na Psiquiatria, sua categorização nosográfica das neuroses serviu como base, durante muito tempo, para a classificação internacional do campo. Na Neurologia,  descreveu com antecipação, baseado em suas magistrais observações e deduções, um funcionamento cuja argúcia não deixa nada a dever à trama da estruturação neuronal, do córtex cerebral.

A partir de seus trabalhos pré-psicanalíticos, após seus estudos sobre a histeria, o qual erigia algumas bases até mesmo para a Neurologia de então, Freud imergiu no estudo dos sonhos. Esse mergulho resultou em sua obra mais marcante, fundamental da nova disciplina, absolutamente original, que com ela nascia.  Exigiu dele uma mudança fundamental em metodologia e foco. Este passou a ser ocupado pelos processos psíquicos, propriamente dito, estudados então a partir de um ponto de vista psicológico.  Daí surgiu a Psicanálise, disciplina nova, autônoma, original, a desafiar, cento e seis anos depois, cientistas e epistemólogos.

Para seu criador, a Psicanálise desenvolve-se como: a) um procedimento para investigação para processos mentais que são quase inacessíveis por outras vias; b) um método, baseado nessa investigação, para o tratamento de distúrbios psíquicos e c) uma coleção de informações psicológicas obtidas ao longo dessas linhas, formando uma nova disciplina científica. Esses aspectos estão entrelaçados de forma indissociável, tendo como eixo comum, que dá a marca registrada da psicanálise, o método psicanalítico.

Que fique claro: quaisquer as divergências entre diferentes psicanalistas, sejam de pontos de vista teórico, clínico, ideológico, o que de fato pode uni-los é o método psicanalítico.

O ponto de partida do psiquismo se estabelece com a pulsão, que vai se expressar por trilhas como representação, metáfora, simbolismo, fantasia.

 A palavra grega para verdade, a-letes, significa literalmente estado de não oculto; alguns idiomas como o latim, celta, línguas germânicas, entendem a verdade como aquilo que merece confiança e oferece segurança. 

Freud nunca se acomodou em falsas seguranças da verdade de cada proposição sua. Sua postura em relação à sua própria obra evidenciou uma revolução permanente, cada hipótese, que sempre provinha da clínica, mantinha-se pertinente sempre que se confirmasse e reafirmasse sua pertinência, também na clínica que viria a ser pensada com um grau maior de complexidade trazido pela nova hipótese. Não sendo confirmada, daria lugar a algo mais apropriado. Só a passagem do tempo, de um tempo de novas observações clínicas, determinavam o valor de cada teoria particular.

Alguns modelos, como o estrutural, podiam parecer mais fortes candidatos à consolidação, através do qual a mente é vista como composta por três instâncias interatuantes e interdependentes, o id, ego e o superego. Hoje este é um modelo lugar comum no dia a dia da Cultura, faz parte de nossa conversa cotidiana, seja lá onde for. Mas o modelo estrutural não invalidou o tópico, que o antecedeu. Apenas trouxe um novo ângulo de observação.  Outros modelos, como as várias teorias sobre a angústia, vão tendo sua primazia datada até nova necessidade da clínica.

O que jamais mudou, já que representa a essência da Psicanálise, é a observação do efeito profundamente forte do método analítico e da situação analítica.  O analista traz para a sala de análise o seu ser, que, supõe-se, tem incorporado um método específico,e também consigo a profunda curiosidade pelo ser humano, além de suas qualidades humanistas de maneira geral. O analisando traz sua dor, sua curiosidade e sua “analisabilidade”. É o que há de essencialmente peculiar à psicanálise: a situação analítica, com uma forma muito particular de interação, na qual o método psicanalítico se explicita como  o elemento princeps a acompanhar os movimentos do campo criado.

A nova metodologia passou a influenciar a prática das Ciências Humanas, de modo geral : Sociologia, Antropologia, Psicologia. No que se refere a esta, a psicanálise tornou-se o modelo matricial básico para a formatação de muitas das psicoterapias que se seguiram, no século XX. Também a Medicina, a Educação, e por fim, o cotidiano viver, receberam a marca inexorável do pensamento psicanalítico. Se aplicada com vigor, não seguirá a psicanálise em nenhum dos casos um roteiro adaptativo. Nos vários campos, a objetividade “já não será tão objetiva”, a inclusão pode a rigor estar desenhando uma “exclusão” , a “pureza” poderá não ser tão “pura”, o corpo poderá expressar aquilo insuspeito até então, etc.  

O saber psicanalítico foi incorporado pela Cultura, fazendo hoje parte do dia a dia, mesmo do vocabulário das pessoas, criando um curioso fenômeno para ela própria, a Psicanálise. Sua prática clínica passou a ter que dar conta do fato que, aqueles que a procuravam não mais eram mais “inocentes”. Agora viviam na cultura embebida de  Psicanálise, traziam dentro de si suas “vivências psicanalíticas”,  idéias idiossincráticas a respeito delas.   Traziam suas interpretações psicanalíticas particulares,  sobre o que já haviam ouvido ou lido da Psicanálise. Ou mesmo outras terapias anteriores, “psicanalíticas”. Mas, ledo engano. Para o bem ou para o mal, de qualquer modo, para a salvação da prática psicanalítica, esta só pode se legitimar e existir com  vida própria,  na situação analítica presente; na experiência emocional viva, não compartilhável, entre aquelas duas pessoas naquele aqui e agora, uma delas utilizando um referencial específico com objetivos razoavelmente bem traçados. A comunicação dá-se num plano vivencial, jamais apenas intelectual, se de fato está havendo análise.

A difusão e popularização excessivas da psicanálise, ocorridas a partir dos Estados Unidos, entre as décadas de quarenta e sessenta, e na França entre cinqüenta e oitenta, no Brasil na década de setenta, deveu-se não somente ao mérito da própria disciplina, mas também ao fato dela ter sido transformada em mito cultural de então, em misterioso objeto do desejo. Passou-se a pensar na Psicanálise como uma visão de mundo e utilizar sua teoria como dogma, o que resultou em enormes prejuízos a ela própria.  A força de sua coesão contextual era a barreira delicada de resistência, a seu favor. Se muito dogmática, perdia o vigor na institucionalização desvitalizante. Se afrouxasse esse caráter dogmático, graças à criatividade, o risco passava a ser uma fragmentação, um desinvestimento e um investimento de terapias paralelas, crescendo na esteira desses dilemas  da psicanálise. Terapias essas muitas vezes populistas e apoiadas por grandes interesses corporativos.

  A obra freudiana desnuda o ser humano como um todo, mostrando-o, revolucionariamente, descentrado de si próprio. Está à mercê de sua relação com o  estrangeiro habitante de seu interior, regido pelo que  foi a grande descoberta freudiana, o inconsciente  trabalhando com suas leis próprias e determinadas. Freud abrange tanto pesquisa médica como teoria da cultura, que ora se misturam e ora se alternam . Uma subsidia a outra, a percorrer integradamente as diversas esferas do ser e do fazer humano,  em seus contextos biológico e social, em cuja integração se insere o desenvolvimento da dimensão psíquica. Esta se inicia numa zona de penumbra entre os dois, no insondável limite do biológico, com seu princípio propulsor, a pulsão.  E, numa retro-alimentação esférica, as primeiras manifestações do aparelho psíquico desembocam no contexto social, pois não podem se expressar sem o acolhimento por parte de algum objeto exterior.

É importante ressaltar que Freud nunca tentou transplantar a psicologia individual para a cultura ou vice-versa, mas sim se serve das observações disponíveis com o intuito de agregar saber a cada uma.   Ambos os eixos coexistem e se intercambiam na obra de seu criador. A questão é que os caminhos, tanto individuais e sociais, como os biológicos e psicológicos se interpenetram.  Freud o observou e levou isto ao extremo. O individual é a realização do universal, dos mitos, enquanto estes se revelam como  a expressão exteriorizada do indivíduo.  Os sonhos representam a mitologia individual daquele que dorme, do sonhador, enquanto o mito é o sonho desperto dos povos. E assim, Édipo de Sófocles e Hamlet de Shakespeare dependem de interpretação que pode ser metodologicamente análoga ao sonho.
 
 O grande privilégio da prática analítica, da terapêutica propriamente dita, é o campo da transferência que se implanta. Há um tempo vivencial e de observação. Conhecimento e terapia são dimensões inseparáveis desta situação dual. A terapia se dá exatamente através da ampliação do conhecimento, do alargamento das possibilidades vivenciais, experiências emocionais, na situação dual. Variam as interpretações sobre o papel que diferentes elementos assumem para a dimensão “cura”, mas os analistas convergem em relação a conhecimento e “insight”.

Uma ambigüidade entre o real e o figurado, entre o concreto e a metáfora, que refletem questões epistemológicas básicas na teoria freudiana, foi muitas vezes objeto de incompreensões e simplificações  gritantes por leituras deturpadas da Psicanálise. Sua  complexidade é desafiadora e se evidencia por exemplo nos fenômenos do limite entre psíquico e somático, ser e não ser, interior e exterior.

 Freud tem em sua própria obra um discurso vivo daquilo que de fenomenal apresenta à teoria da ciência, da cultura e do ser humano. Uma verdade é uma contingência que não necessariamente elimina outras possibilidades, a verdade não é um fundamento em si, mas está condicionada a um instrumento e um ponto de vista, uma imagem do mundo. E isto, a rigor, é precursor do pensamento moderno. Colocando a questão de outro modo: dependendo da profundidade com que pescarmos nas águas do inconsciente, vamos apanhar um determinado tipo de peixe. Para isto influirá também a isca que utilizarmos, pois na mesma profundidade podemos ter diversos peixes de  características diversas, atraídos mais por uma isca ou outra.   

Aquilo que Freud descobriu num determinado instante, por exemplo, sua teoria da angústia, foi por ele, remodelada a partir de novas necessidades clínicas, considerada dentro de espectros de maior complexidade, dado o aporte de novas informações e de outros pontos de vista. Á medida que aumentava o arsenal conceitual e que crescia o acervo de experiência, novas formas compreensivas tinham que tomar corpo. Mas  cada mudança não é que descarte a verdade anterior. Pode deixá-la de lado, ou ampliá-la, mas sem suprimi-la.   Cada momento, cada passo é essencial para o seguinte, ainda que no fim a distância entre a leitura final e a inicial seja considerável. Este é o padrão de todo o desenvolvimento da psicanálise, e de suas escolas posteriores.

A teoria das pulsões, por exemplo, enseja a possibilidade de desenvolvimento de uma outra, muito diferente, que é a das relações objetais.  O  mesmo se dá para os desenvolvimentos pós-freudianos na linha de  Klein, Bion, Winnicott, com os da psicologia do self, com os contemporâneos, e mesmo com os lacanianos. Trata-se de acréscimos a conhecimentos posteriores, a partir de diferentes pontos de vista, de diferentes pontos de partida. Mas não é que um invalide o outro. Por vezes , os desenvolvimentos dependem do ponto de partida.

Se Freud partia do atendimento de histéricas, Klein estudava crianças e seus desenvolvimentos, Winnicott partiu de sua prática como pediatra, Bion de seu trabalho na segunda guerra e com psicóticos. Os ângulos tinham que ser diferentes. A interpretação inicial não precisa ser renegada, mas sim contextualizada, inclusive como possibilitadora de um  desenvolvimento posterior.  Cada passo tem importância para o trabalho dos analistas que o sucederam . Sejam as escolas das relações objetais, em diversas vertentes, a psicologia do eu, etc., cada uma se ocupou de questões próprias.  A Psicanálise chegou ao narcisismo e à psicose. E assim, das neuroses se plantou uma possibilidade de se chegar aos psicóticos, e hoje temos o desafio dos borderlines, dos distúrbios alimentares, etc.
 
O desafio interno do movimento psicanalítico é o de preservar sua pluralidade, incorporando saberes provenientes das diversas escolas.

Existem de fato algumas convergências, do ponto de vista técnico.  A concordância em relação ao método é unânime. Hoje em dia todos os enfoques permanecem conferindo importância central à relação transferencial, e nela a atenção também se volta para os padrões habituais da conduta, observáveis com o microscópio analítico e que denotam atitudes defensivas abrangentes, mais do que significados pontuais de determinados sintomas.

O sonho é sempre valorizado enquanto expressão do inconsciente, mas a atenção aumenta ao registro de suas conexões com o aqui e agora da sessão, e com o próprio sonhar. Algumas escolas ampliam a própria acepção de sonho, que se torna mais abrangente. Os significados do aqui e agora são muito importantes, como reveladores de um inconsciente vivo presente,  e configurando a qualidade das relações que o indivíduo pode estabelecer com o mundo, externo e interno. Está em pauta a experiência emocional do paciente, e atenção cuidadosa é conferida, por algumas correntes da psicanálise contemporânea, à qualidade da experiência que o analista vivencia na presença do analisando.  

  Participando na transformação do homem, a psicanálise se enredou na própria trama que criou. Passou a ter que lidar com o mundo pós- criação dela mesma, e que a inclui. A complexidade evidentemente aumentou. É a cultura, é a literatura, é a ciência que a incorporam, é a Medicina que absorve seus desafios inovadores.  A psicanálise floresceu num mundo a que ela mesma ajudou a dar forma, na busca da liberdade e da autenticidade humanas, prezando a singularidade radical, o único de cada indivíduo. Esses são valores inextricáveis de seu pensamento, presentes também como pano de fundo da experiência que a sustenta, a experiência analítica, na prática cotidiana.

Podemos dizer o que não muda: é a demarcação inelutável de sua prática, o compromisso com o sofrimento humano. É o contato com a dor e com a aflição, na razão e na desrazão, que delimitam sua identidade e sua função social, existencial até, se o quisermos. Isto não é modificável, não é objeto de “negociação” pela psicanálise. Seu cotidiano se plasma pelo cuidado com o ser humano e as mazelas de sua existência, de cada existir.

Assim, a Psicanálise sempre se ateve a um senso fundante de luta entre o esclarecimento e a obscuridade, liberdade e compulsão, prazeres do entendimento das dores do conflito mental.  O contato com a dor manteve os psicanalistas também em contato com as limitações do humano. Hoje em dia essa limitação se encerra na fronteira entre o representável e o irrepresentável, no mundo psíquico.

Sua dimensão social se expressa na relevância epidemiológica que assumem, atualizando no início deste século a provocação que a  histeria causava no final do século XIX.  Não que no plano individual as repressões tenham sido suprimidas, superadas. Não, absolutamente. Os histéricos de hoje continuam a existir. Eles permanecem, estão muitas vezes até nas clínicas neurológicas. Se estas são de ponta, eles podem até sair de lá portando um vídeo de suas crises, vídeos que ajudam a distinguí-la da epilepsia. Mas as fronteiras do saber e do fazer não estão mais aqui, estão nas patologias do vazio, do nada, ou do limite entre a psique e o soma, da mente e a não mente. Enfrentar esses dilemas é tarefa que não admite dogmas ou teorias infundadas de uma clínica datada. Implica na busca despojada, humilde  e permanente do humano no humano, do singular no universalmente humano.
 
Muitas vezes incompreendida, a Psicanálise existe hoje, com vigor, em quarenta e um países. Estende-se até mesmo ao Japão e China, ao mundo árabe e islâmico sempre que as liberdades aí progridem. Sua expansão é quase mundial.  Proibida anteriormente na União Soviética, renasce na medida de sua distensão política. Nos Estados Unidos, insiste em sobreviver forte junto à universidade, malgrado o massacre que sofre por parte da poderosa  indústria farmacêutica.  Na América Latina, a Psicanálise teve como primeira instituição a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, fundada inicialmente em 1917, e que só se efetivou de fato na década de 40. Hoje,a Psicanálise está em todas as regiões. Fato impensável no tempo de Freud,  chegou à Amazônia por esforço da Associação Brasileira de Psicanálise há alguns anos.

A Psicanálise, digo, o movimento psicanalítico, tem uma tendência a se auto-historiar. È um fato curioso, que deve ser dimensionado também em termos contextuais. Esta pode ser uma das formas de elaborar o luto por seu fundador. A elaboração desse luto  pode oferecer uma perspectiva vigorosa, com Freud  incorporado e o espaço ficando aberto para os autores contemporâneos. A continuação da construção do edifício psicanalítico é uma obra conjunta. Dela participam todos aqueles que de algum modo continuam a obra do autor. Certamente, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo tem, nesse âmbito,  papel relevante .

 

Bibliografia

Clement, Catherine (2005)- Pour Sigmund Freud. Paris, Editions Menges

Montagna, Plinio (2001) – Subjetivação Contemporânea na Metrópole. In; Tassari, E. Panoramas Interdisciplinares para uma Psicologia Ambiental do Urbano. São Paulo, Educ

Rustin, Michael (1991) – A Boa Sociedade e o Mundo interno.  Rio de Janeiro, Imago, 2000.

Ricoeur, Paul (1965) -  Da Interpretação : ensaio sobre Freud. Rio de Janeiro, Imago, 1977.

Revista Viver Mente&Cérebro, ano XIV, número 159, de abril de 2006