1- O que é Psicanálise?
Psicanálise é um conjunto de teorias e métodos psicológicos baseados no trabalho pioneiro de Sigmund Freud. Com seu gênio investigativo,Freud procurou inicialmente entender a natureza humana,observando suas reações e atos. Confirmou a presença determinante do inconsciente nos sonhos e na vida diária das pessoas, nos seus enganos de linguagem, atos falhos, esquecimentos de nomes e outros.
O interesse das pessoas em saber mais sobre si mesmas, suas capacidades, dúvidas, sentimentos, ações, acertos e desencontros consigo e com os outros, foi fonte de constante investigação. A busca de liberdade para as realizações pessoais, principalmente nas suas relações afetivas, sempre inquietou o ser humano. O desejo de respostas para esses questionamentos é muito antigo, e estimulou a criação de várias áreas do saber e da cultura: religião, filosofia, literatura, artes.
Entretanto, um novo modo de compreensão do homem surgiu somente após 1895, quando o médico vienense, Sigmund Freud, nomeou e estabeleceu o conceito de inconsciente psíquico com leis e lógicas próprias, acompanhando o lado consciente do ser humano. Ao sistematizar essa descoberta fundamental, Freud criou a Psicanálise. Deu um sentido ou uma racionalidade a fenômenos estranhos e não explicados até então pela Ciência. Buscou assim entender como são expressos os desejos inconscientes, bem como os sentimentos contraditórios, que criam conflitos por não serem coerentes com os pensamentos conscientes, por exemplo, como o passado vai perdurar ativamente no presente das pessoas, e como a ação e os relacionamentos podem ser afetados por essas variáveis. Esses elementos seriam determinados não só pela razão e pelo que é conhecido, mas também pelos processos psíquicos inconscientes que existem. Ressaltou o quanto esses processos são parte importante da vida psíquica, aos quais é necessário dar voz e torná-los cada vez mais integrados com o consciente.
Freud enfatizou a importância da valorização da singularidade de cada pessoa, questionando as soluções coletivas contrárias ao desejo de cada um. Porém, ressaltou a importância do indivíduo em tolerar a restrição dos seus desejos individuais para serem parcialmente modificados por sentimentos altruístas, isto é, sentimentos amorosos pelo outro ser humano. Somente isso possibilita o estabelecimento de interações interpessoais e grupais satisfatórias entre as diferentes gerações, na convivência em sociedade, com reflexos na cultura.
Hoje se reconhece que, ao se permitir ao indivíduo tomar conhecimento desse fato, possibilitando sua expressão ou não e a busca da compreensão de suas contradições, ele pode superar as angústias, integrando-se emocionalmente. Isso facilita as escolhas, as tomadas de decisão, as expressões criativas, e amplia o campo de ação e de satisfação da pessoa consigo mesma no mundo.
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2. O que é processo psicanalítico?
É o trabalho de investigação dos processos mentais que não são acessíveis de outra maneira. Acontece numa relação entre duas pessoas que se propõem trabalhar juntas, o psicanalista e o analisando. A proposta do profissional, conhecedor das teorias psicanalíticas e tendo maior conhecimento do próprio inconsciente, resultado da sua longa formação, é de acompanhar o analisando, ouvindo-o falar do modo mais livre possível, numa livre associação de suas idéias.
Essa postura vai favorecer ao analisando recordar e atualizar experiências emocionais significativas já vividas, mas não suficientemente elaboradas, e que por isso causam tensões, angústias e dores em sua vida atual. Quando o analista entende que há sentidos afetivos deslocados no tempo e na fala do analisando que ressurgem na atualização do tratamento e que escapam à sua compreensão, ele intervém, falando sobre isso, fazendo sua tradução do que observou, no intuito de oferecer ao analisando possibilidades de integrar os sentimentos e pensamentos relacionados à experiência que está sendo revivida. Essa é a regra fundamental a ser utilizada cuidadosamente nas situações psicanalíticas, ela faz surgir e organizar o fenômeno conhecido como relação transferencial com o analista, que favorece o processo psicanalítico.
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3. A psicanálise trata o sofrimento das pessoas?
A psicanálise é também um método psicoterápico de tratamento de alterações psíquicas que causam sofrimento às pessoas, pela impossibilidade delas integrarem e expressarem mais livremente seus desejos, ou de o fazerem de modo muito turbulento.
As alterações podem ser expressas de diferentes maneiras, de doenças físicas a dificuldades relacionais. O desenrolar do tratamento psicanalítico, que acontece com várias sessões semanais, durante meses ou anos, favorece a flexibilização ou com a devida contenção dos processos mentais faz surgir as transformações psíquicas. O trabalho da análise não é o de restituir o passado, mas sim de ultrapassá-lo, que é a única forma verdadeira de conservá-lo no seu devido lugar, para assim permitir aos indivíduos viver mais livremente o presente, e poder planejar o futuro. A dimensão terapêutica da análise então se faz presente na vida das pessoas que podem ser beneficiadas pela psicanálise como tratamento, como teoria científica, como ética e como maneira de ver e pensar a civilização, ampliando sua capacidade afetiva e produtiva.
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4. Nos seus 110 anos de existência, a psicanálise é sempre a mesma?
Desde sua juventude Freud teve a aspiração de contribuir de algum modo para o conhecimento da humanidade. Era movido por uma espécie de curiosidade voltada para as questões humanas, mas não tinha aprendido ainda a importância dos métodos de observação como o melhor meio de satisfazer essa curiosidade. Ao priorizar a observação, Freud transformou a psicanálise em um processo dinâmico, com movimentações sobre bases estabelecidas, às quais acrescentava novos conhecimentos, sem se desfazer dos já confirmados. Aqueles que acompanham seu pensamento partilham então de um conjunto de teorias em que são organizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e de tratamento, em permanente expansão, que acrescenta novos conceitos ao conjunto das teorias já estabelecidas desde seu início, e o amplia conforme a experiência na clínica direcione sua investigação e compreensão. Trata-se então de um conjunto de teorias que orienta e organiza o conhecimento obtido através da experiência prática, e à qual em retorno ela inspira criando novas teorias, buscando manter sua aplicação ao conjunto de fenômenos humanos nos quais o inconsciente está envolvido.
Desde o início, outros criativos psicanalistas colaboraram com idéias originais para essa ampliação e aplicação. Sandor Ferenczi, Melanie Klein, Ronald Fairbairn, Wilfred Bion, Herbert Rosenfeld, Jacques Lacan, Donald Winnicott, Donald Meltzer mantiveram o embasamento freudiano e acrescentaram conhecimentos que foram importantes do ponto de vista teórico. Inovaram e enriqueceram a prática psicanalítica, chegando a criar novos conjuntos teóricos. Atualmente André Green, Thomas H. Ogden, Jean Laplanche e outros são pensadores que realizam essa tarefa.
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5. O que a SBPSP oferece é um curso de pós-graduação?
A proposta de formação na SBPSP não segue as mesmas diretrizes que orientam os cursos de pós-graduação que acompanham os conceitos acadêmicos.
O Instituto de Psicanálise Durval Marcondes, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, que iniciou suas atividades oficiais em 5 de junho de 1944, instituiu a prática da Análise Didática e os parâmetros de formação psicanalítica adotados na Europa e América do Norte. Ao longo desses anos foram formados mais de 400 profissionais segundo padrões de formação adotados pela IPA (Associação Psicanalítica Internacional), o que nos confere a possibilidade de intercâmbio com as demais Sociedades de Psicanálise filiadas a ela. A formação psicanalítica é oferecida a médicos e psicólogos graduados e com registro nos respectivos Conselhos Regionais. A aceitação de profissionais de áreas afins ficará a critério da Comissão de Ensino. Para ser aceito e iniciar a formação, é necessário passar por um processo de seleção. A Comissão de Ensino é um órgão da Sociedade que é coordenado pelo Diretor do Instituto, e que tem por finalidade estar continuamente refletindo sobre a formação que o Instituto oferece, além de estabelecer as normas para a formação.
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6. Existem pré-requisitos para a formação psicanalítica?
Sim. O pretendente à formação psicanalítica deverá ser graduado em curso de Medicina ou de Psicologia. Os pretendentes não graduados em Medicina ou Psicologia, terão seu pedido examinado pela Comissão de Ensino da SBPSP. Sobre o resultado deste exame não caberá recurso. Portadores de diplomas emitidos por universidades estrangeiras deverão apresentar prova de revalidação dos mesmos, de acordo com a legislação brasileira. Os pretendentes deverão se inscrever para participar do processo de Seleção da SBPSP, apresentando os documentos exigidos para tal fim. Para maiores informações, consultar o referido item em Formação Psicanalítica.
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7. Há um plano de formação do psicanalista?
Sim. O processo de formação implica uma tomada de decisão consistente, pois ocupa um espaço considerável na vida do profissional em formação. Este irá conviver com as inquietações que fazem parte do mundo psicanalítico em geral, além das conseqüentes estimulações ao entrar em contato com a diversidade teórica que existe, com a transmissão desses conhecimentos, e a busca de teorizações originais e de observação no momento da prática clínica. Há um treino constante do movimento em espiral de crescimento e de encontro com o novo.
O futuro analista deverá fazer, como consta no processo de formação, sua análise didática por um período mínimo de cinco anos com quatro sessões semanais, duas supervisões oficiais de 80 horas cada uma, e seguir um extenso programa de seminários teóricos e clínicos que dura em média cinco anos. É desejável que tenha experiência prévia de análise pessoal e conhecimento suficiente da área de trabalho psicanalítico.
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8. Quanto custa o curso de formação em psicanálise?
A SBPSP, responsável pelo Instituto de formação, receberá do futuro analista uma mensalidade estipulada por sua diretoria referente aos seminários teóricos e clínicos que oferece. Porém, grande parte do investimento na formação decorre da análise pessoal e das supervisões oficiais aos quais o analista em formação terá que se submeter. Caberá ao interessado informar-se diretamente sobre essa questão, já que a SBPSP não define os honorários de seus analistas, e estes variam muito.
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9. Como saber se um profissional é psicanalista da SBPSP?
A secretaria da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo oferece informações pelo telefone (11) 2125-3777. Essa informação também pode ser acessada pela página inicial do site da SBPSP (www.sbpsp.org.br) que se encontra no item do menu “Membros e Filiados”, há a possibilidade de pesquisar os componentes da SBPSP por nomes, nos diferentes bairros em que mantêm seus consultórios na cidade de São Paulo, nas várias cidades do estado de São Paulo e em alguns estados brasileiros.
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10. A SBPSP oferece atendimento gratuito a quem não possa pagar?
Não. Porém, o Centro de Atendimento Psicanalítico reúne psicanalistas da SBPSP que disponibilizam alguns horários em seus consultórios para atendimento psicanalítico em condições acessíveis a quem tem pouca disponibilidade financeira para esse tipo de trabalho. O telefone (11) 3661-9822 da Secretaria do Centro oferece maiores informações e agenda entrevistas.
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11. Sob qual código de ética os psicanalistas da SBPSP atuam?
Os membros da SBPSP aderem a um estrito código de ética em nível nacional, cujas questões podem ser acompanhadas pela Comissão de Ética da SBPSP, e também em nível internacional, pois são ligados à Associação Psicanalítica Internacional, que possui e institui seu Código de Ética, que pode ser consultado na sua home page www.ipa.org.uk.
Os psicanalistas da SBPSP, qualificados para exercer a Psicanálise, também poderão ser membros de outra disciplina na área da saúde, medicina, psicologia ou outros, e submetidos aos seus respectivos Conselhos.
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